segunda-feira, 23 de junho de 2014

OS FILHOTES DOS DIREITOS HUMANOS

Detento é assassinado dentro da cadeia

Um grupo de 26 presos da cela 4 da Central de Triagem (CT) da Marambaia tentou fugir por volta das 3h30 de ontem. Durante a tentativa de fuga frustrada, os presos conseguiram cortar duas barras de ferro das celas, garantindo a saída de outros detentos, que tiveram acesso à área interna da central.

Segundo o diretor do Núcleo de Administração Penitenciária da CT, Mauro Matos, os detentos envolvidos no motim fizeram 31 presos da cela 1 reféns. Houve conflito e três internos ficaram feridos e encaminhados ao Hospital Metropolitano de Belém. No fim da manhã, o hospital confirmou a morte de Tássio Silva Viana, que estaria gravemente ferido no rosto e na cabeça. A vítima tinha duas passagens pela polícia, a última por tráfico de drogas.

O detento Magno Zaqueu de Jesus também estaria bastante ferido no rosto e Erivaldo Santos Barros tinha um ferimento mais leve na cabeça. Os dois foram atendidos na emergência do Metropolitano, mas ninguém soube informar o real estado de saúde deles. Na hora do motim, nove agentes prisionais trabalhavam no plantão, mas a situação só foi controlada com a chegada de mais de 20 homens do policiamento de choque da PM.

Do lado de fora da central, familiares reclamavam da falta de informação sobre o caso e afirmaram à imprensa que os presos têm reclamado da falta de estrutura da CT. Segundo eles, a água de beber é suja e a comida é estragada. Os parentes também são proibidos de levar toalhas e lençóis aos detentos, nem mesmo remédio para febre ou dor de cabeça é permitido levar.

A direção da CT nega os maus-tratos, mas reconhece a superlotação da central. Segundo Matos, a capacidade do CT da Marambaia é para 100 presos, mas custodia 208 internos.

As famílias temiam, ainda, agressão física aos detentos devido a ruídos e à presença dos PMs. A informação da direção da CT é de que o barulho advindo da área interna da CT era proveniente do conserto das celas e o reforço da PM foi necessário para controlar a situação. Nenhum preso fugiu.

(Diário do Pará)

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