quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CARREGANDO UM SACO DE COBRAS E NÃO PODE MATAR NENHUMA DELAS

Ser Presidente não é fácil. Após os relatos de insatisfação dos agentes do órgão de inteligência por conta de sua subordinação aos militares, Dilma fará mudanças
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu reformular a área de inteligência do governo, disputada por setores da administração e foco de instabilidade e de crises na gestão Lula.

Reportagem publicada nesta terça pelo Estado revelou que representantes da Associação Nacional dos Oficiais de Inteligência (Aofi) foram recebidos no Planalto por subordinados diretos da presidente para reclamar da intervenção do general José Elito, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no órgão.

No encontro, eles entregaram uma carta endereçada a Dilma. A Aofi quer ter uma vinculação direta à Presidência, sem um órgão militar como intermediário. Os arapongas defendem até mesmo que haja um assessor especial da presidente ou um secretário de Inteligência a quem responderiam diretamente.

Antes do início do governo, Dilma havia conversado com algumas pessoas sobre a possibilidade de retirar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do GSI, antigo desejo dos servidores do setor. A presidente, porém, ainda não avaliou detidamente o tema e não sabe em detalhes o que fazer com o setor, mas está determinada a promover mudanças.

Por isso mesmo, mandou que seus auxiliares diretos recebessem os representantes da Aofi porque considera importante conhecer as demandas do setor.

A presidente, conforme apurou o Estado, descarta a existência de uma rebelião na Abin, apesar de algumas insatisfações claras com as posições do general José Elito, que chegou ao posto avisando que a Abin só sai da sua subordinação se ele sair antes do cargo. Ontem, o general Elito chamou ao seu gabinete o diretor geral da Abin, Wilson Trezza, para conversar e para "tomar a temperatura da agência".

Todos os dias, na chegada ao Planalto, pela manhã, é o ministro-chefe do GSI quem recebe a presidente Dilma. Ontem não foi diferente. Mas Dilma mandou avisar que tem outras pendências à frente, antes de discutir o tema.

Até o meio da tarde de ontem, o gabinete presidencial ainda não havia procurado a associação dos servidores da Abin, que hoje já conta com cerca de 170 associados, dos 650 oficiais de inteligência do País.

Representando todos os servidores da Abin existe uma outra organização: a Asbin, que passa por uma reformulação depois de ter enfrentado problemas nas administrações passadas. A Asbin cuida mais dos interesses dos servidores em geral e a Aofi foi criada com o objetivo de defender que a instituição se torne efetivamente uma agência de Estado.





terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

INACREDITÁVEL! INCRIVEL!

Quem explica isso?

Algo realmente estranho ...
Este ano vamos experimentar quatro datas incomum .... 1/1/11, 11/1/11,
1/11/11, 11/11/11!

E Tem mais!!!
Agora vão descobrir, pegue os últimos 2 dígitos do ano em
que nasceu mais a idade que você vai ter este ano e será igual a 111 para todos!

ALGUEM EXPLICA O QUE É ISSO ????


Ex: a) Alguém que nasceu 1956 então! 56 + 55 = 111

Abin reage a controle militar em carta a Dilma

Lembram dos "acomodados", "os mercadores" e "cachorros loucos"?
Vamos relembrar: Segundo a edição de 22/09/08 do jornal o liberal (CIDADES).

AUSÊNCIA de uma política clara cria grupo de “acomodados”.

À falta de uma política pública que diga claramente quais os objetivos da ABIN e como eles devem ser alcançados, afirma um assessor de LULA, que não quis se identificar, os acomodados estão cada vez mais acomodados e ganham bem, os mercadores traficam informações sigilosas e ganham dinheiro e os cachorros loucos funcionam como justiceiros que admitem fazer o mal e praticar ilegalidade em nome da idéia que só eles estão fazendo o bem para a sociedade.

O governo fala na necessidade de limpar a ABIN dos fantasmas que assombram a agencia. Eles somam mais da metade dos integrantes da agencia 600 integrantes das atividades meio e fim distribuídos por todos os estados distribuídos pelo Pais. No total a agencia tem 1.600 servidores.

Novamente a ABIN é noticia de conflito interno, se não vejamos:

Abin reage a controle militar em carta a Dilma e rejeita ser ‘Tropa do Elito’
Funcionários da Agência Brasileira de Inteligência pedem encontro reservado no Planalto para protestar contra ações do general José Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e afirmam que são civis e devem estar ligados à Presidência.

BRASÍLIA - (os créditos são do jornal o estadão) Sem saber exatamente o que a presidente Dilma Rousseff pretende fazer com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a chamada "comunidade de inteligência" entrou em choque com o general José Elito, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Desde a criação, em 1999, a Abin é subordinada ao GSI. O estopim da rebelião foi a exigência do general de que todos os relatórios do serviço de inteligência sejam submetidos previamente à sua análise.

A decisão do general de avaliar a possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo (DCT), criado em 2008 na gestão Paulo Lacerda, aprofundou ainda mais a crise envolvendo a Segurança Institucional e a Associação dos Oficiais de Inteligência (Aofi).

A associação pediu audiência no Planalto para discutir a crise e foi recebida no dia 27 de janeiro por três funcionários da chefia do Gabinete da Presidência, o que deixou ainda mais irritado o general. Giles Azevedo, chefe de Gabinete da Presidência, não estava presente na reunião.

Carta. Em carta entregue à Presidência, a "comunidade de inteligência" pede que a Abin não tenha nem subordinação militar nem subordinação policial. Em evidente trocadilho com o filme Tropa de Elite, funcionários da Abin dizem que não querem ser da "Tropa de Elito".

A Aofi pede que a agência seja ligada diretamente à Presidência da República. "Solicitamos à Presidência um comando civil para a Abin uma vez que somos funcionários públicos civis, pertencentes a uma instituição civil", disse um oficial da associação. Ele pediu que a identidade fosse mantida em sigilo por ser agente que faz serviço de campo.

A equipe de transição da presidente chegou a estudar a desvinculação da Abin da Segurança Institucional, mas o trabalho ficou pela metade e até agora não há clareza sobre o que o novo governo quer da agência.

A associação dos oficiais de inteligência foi criada em 5 de novembro passado e serve de contraponto à Associação dos Servidores da Abin, composta principalmente por funcionário oriundos da "comunidade de informações", muitos com experiência no Serviço Nacional de Informações (SNI). A direção ainda é interina e aguarda a realização da primeira eleição.

‘Que se exploda’. A possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo foi considerada uma ideia "despropositada" pelos oficias da inteligência. Avisado de que não poderia acabar com o departamento porque o Brasil é signatário de tratados internacionais coordenados pelas Nações Unidas, o general, conforme relatos feitos ao Estado, desabafou: "Quero que a ONU se exploda".

O confronto entre o general Elito e os funcionários da Abin começou logo nas primeiras reuniões depois da posse, no dia 5 de janeiro, quando ele avisou que a principal reivindicação da categoria - a desvinculação da Abin do GSI - só aconteceria "se ele saísse do cargo".

A possibilidade de tirar a Abin é vista pelo general como um ato de esvaziamento do GSI, reduzindo seu trabalho à segurança presidencial, como era no antigo Gabinete Militar.

Na sequência das primeiras reuniões, o general exigiu que os relatórios do serviço de inteligência passem pelo seu crivo e tenham um espaço para observações do chefe do GSI, antes de irem para o Sisbin, o Sistema Brasileiro de Inteligência.

A iniciativa foi considerada "centralizadora" e "inadequada" porque a doutrina de inteligência exige que os relatórios sejam imparciais e isentos de qualquer opinião. Além do clima beligerante com a Abin, o general começou estreando no comando do GSI criando uma saia justa para o governo Dilma.

Desaparecidos. No dia da posse, Elito, que comandou a Força de Paz da ONU no Haiti (Minustah), afirmou que os desaparecidos políticos não deveriam ser motivo de vergonha para o Brasil. O general foi chamado por Dilma para se explicar, mas não foi repreendido publicamente. Disse que foi mal interpretado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

AS ÀRVORES DA ANA

Conversas telefônicas interceptadas com ordem judicial revelam como funcionava o esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) para aprovação de planos de manejo durante o governo de Ana Júlia Carepa. As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) apontam que os envolvidos teriam praticado corrupção ativa e passiva numa organização criminosa que, além de se utilizar de valores obtidos com os ilícitos em suas despesas corriqueiras, ainda tentou esconder os rendimentos desonestos por meio de contas bancárias e bens em nome de terceiros.

O processo corre em segredo na Justiça Federal, mas as transcrições das conversas circulam com desenvoltura entre jornalistas. A propina corria solta e generosa. Até vazamento de informações dentro do MPF foi descoberto. O processo já tem mais de 3 mil páginas.

O DIÁRIO teve acesso às conversas, que envolve servidores da Sema, intermediários, madeireiros, fazendeiros, autoridades do governo passado e políticos como os deputados federais eleitos Cláudio Puty (PT), Giovanni Queiroz (PDT), os estaduais Cássio Andrade (PSB), Bernadette ten Caten (PT) e Gabriel Guerreiro (PV).

O então secretário do órgão, Aníbal Picanço, de acordo com o relatório da investigação, saiu de uma humilde casa no bairro do Reduto para ocupar um apartamento no Umarizal avaliado em R$ 1,5 milhão. O candidato a deputado Sebastião Ferreira, o “Ferreirinha”, tem seu nome citado em várias conversas. Ele tinha muitos clientes entre os madeireiros. E muitos pedidos na Sema.

É possível verificar a pressão exercida para liberação dos projetos sob influência política devido à proximidade da eleição de outubro passado. Um dos diálogos é entre o ex-secretário Cláudio Cunha e Gabriel Guerreiro (PV): “Deputado, aquele seu manejo deve tá saindo já, viu?”. Guerreiro responde: “Tá na sua mão, solte pra mim hoje”. E Cláudio retorna: “Não, vou soltar agora”. Mais adiante, fala para um servidor da Sema que vai atender o deputado e “gastar a tinta dessa caneta com o maior prazer”.

Cássio Andrade, dono de uma empresa que negocia peixes ornamentais, também telefona e cobra celeridade na liberação de seu projeto. “São os meus peixinhos...”, resume. É atendido prontamente. Em outro trecho, Picanço diz para Cláudio Cunha que Bernadete “tá torrando a paciência” e pergunta se ele está acompanhando os processos dela. Cunha responde que sim, mas argumenta que os projetos têm “pendências em Marabá”, que a deputada quer “empurrar goela abaixo”.

ESQUEMA

No dia 16 de setembro do ano passado, uma denúncia feita à PF escancarou o esquema. “Venho denunciar uma quadrilha que há muito tempo está instalada na floresta amazônica, trata-se de pessoas que uniram-se para confeccionar créditos de madeira de forma fraudulenta através de projetos de manejos e aprovados em áreas sem documento e muitas vezes sem nada de mata”.

O denunciante cita que José Vicente Tozetti e seu filho, Carlos Tozetti, com atuação na Transamazônica, uniram-se a um advogado conhecido na Grande Belém como doutor Luiz para influenciar a resolver problemas na Sema e com isso “arrecadar dinheiro para a campanha do PT, ou seja, de Ana Júlia”. A união teve como base um ambicioso e audacioso plano de aprovar plano de manejo em uma área que em sua metade está completamente desmatada e a outra invadida.

“Com muita astúcia e desenvoltura obtiveram êxito na grande fraude, conseguiram aprovar um plano de manejo completamente fraudulento, com mais de 70 mil metros cúbicos, avaliado em R$ 8 milhões”, diz o denunciante. O projeto estava em nome de Isaías Galvão Bueno. A transação foi tão bem sucedida que um jovem de 24 anos, José Vicente Alves Tozetti, comprou um avião de marca Corisco. Os créditos falsos do projeto foram vendidos por um tal de Paulo Sérgio, conhecido por “Paçoca”. ( os créditos são do Diário do Pará).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CASTELOS CONSTRUIDOS NA PRAIA

Obra no Real Class foi 3 vezes interditada

Os fiscais José Ribamar e Edna Rocha, do Ministério do Trabalho, confirmaram que com o boom da construção civil em Belém e arredores aumentou consideravelmente o número de denúncias de irregularidades, como falta de segurança, nas obras locais. Eles informaram aos promotores de Justiça que somente a obra do Real Class, prédio que desabou sábado, em Belém, teria sido embargada e interditada três vezes, após denúncias de vizinhos para sanar as irregularidades.

O tripé que sustenta uma Nação, Saúde, Educação e Segurança. É dever do governo proteger a vida das pessoas, e acredito que realmente o Estado contempla a vida. Entretanto no Brasil a vida principalmente a dos mais pobres, parece não ter qualquer valor, pobre é tratado como um nada, nem podemos dizer tratado como bicho por que temos vistos cachorro sendo tratado melhor do que humano, em todos os sentidos.

Os cursos técnicos profissionalizantes no Brasil e mesmos os de nivel superior em todas as áreas Engenharia é a bola da vêz. O governo deve repensar a coordenação dos estudos seja técnicos ou de engenharia e arquitetura, pois esta muito a desejar o trabalho de engenharia, é o que temos observado no cotidiano, em que vemos falhas gritantes na execução dos trabalhos nesta área.

Vejamos algumas perguntas que não me deixam calar.

1ª) Quanto tempo tinha a obra construção do prédio na 3 de maio?
Resp. mais de 2 anos, 70% dos apartamentos já estavam vendidos

2ª) Quantos anos de formado tem o engenheiro responsável?
Resp. 01 ano e meses, pois bem ! como pode ele ser o emgenheiro responsável da obra se no inicio da obra ele ainda era um academico?

3ª)Será que realmente ele estava habilitado legalmente para exercer tamanha responsábilidade ?
resp. Aos meus olhos NÃO, o advogado para exercer sua profissão tem que passar por uma prova da OAB, acredito que o engenheiro seja da mesma maneira submetido pelo mesmo a uma residência de provação e aprovação de sua capacidade profissional.

Não podemos aceitar amadorismo quando esta envolvido o bem maior o mais precioso A VIDA, se o Estado contempla a vida, é melhor começar a levar as coisas mais a sério e realmente contemplar a VIDA.

Em uma sociedade que se aceita exercer as seguintes profissão sem a devida habilitação:
1- jornalismo sem curso acadêmico (diploma);
2- Professor (sem formação de magistério ou acadêmico);
3- Presidente da República, sem qualquer curso acadêmico;
4- Médico sem ser médico;
O empresário Carlos Paes, proprietário da empresa responsável pela construção e derrocada do edifício Real Class afirmou, em entrevista à imprensa, que vai continuar atuando no ramo da construção civil. Ele se diz apaixonado por esse ramo técnico.

A questão é que, em um mercado altamente competitivo e seletivo, será que alguém ainda vai se interessar em comprar uma unidade de qualquer ambiente construído por ele?. Depois que o Real Class caiu feito um castelo de areia, fica difícil ele continuar vendendo suas obras.

O crime a ele imputado ou a seu filho ou a quem de qualquer forma contribuiu para a consumação do evento delituoso é competência do juizado de pequenas causas.

As implicações sérias, graves e desgastantes para a empresa cai-cai é no campo cível. Indenização ao morto, despesas com funeral, dano moral aos feridos.

Ressarcimento das unidades pagas ou em fase de pagamento e que não foram entregues, a destruição das casas vizinhas, dentre outras obrigações que o autor de um ato ilícito é obrigado a reparar. Espera-se que o Judiciário estadual acelere os processos para não repetir as prescrições ocorridas com o edifício Raimundo Farias.

F I L I S T E U S

Reino de Moab

Os filisteus (do hebraico פְּלְשְׁתִּים plishtim) foi um povo que ocupou a costa sudoeste de Canaã, com seu território nomeado como Filístia em contextos posteriores. Teoriza-se que os eles se originaram entre os "povos do mar". A arqueologia moderna também sugeriu os primeiros laços culturais com o mundo micênico na Grécia. Apesar deles terem adotado a língua e a cultura local cananéia antes de deixar quaisquer textos escritos (e posteriormente adotarem a língua Aramaica), uma origem indo-européia ter sido sugerida para um grande número de palavras filistéias conhecidas que sobreviveram como estrangeirismos em hebraico.

Origem

Sua origem ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato se se tratava de um único povo ou de uma confederação de povos que migraram do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo no século XIII a.C..[1]

Segundo a Bíblia, os filisteus teriam se originado de Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios, e neto de Cam. No entanto, a teoria mais aceita cientificamente baseia-se na hipótese de que se tratava de um grupo indo-europeu que conviveu durante séculos com os povos semitas da região conhecida como Palestina.

A primeira notícia que se tem sobre os filisteus surge de relatos Egípcios sobre os "Povos do Mar", isto é, levas de migrantes que vieram por mar para o atual Egito. As crônicas egípcias registram que, entre estes povos, encontravam-se os filisteus (peleset), mas havia ainda outros.

Esses "povos do mar", após várias batalhas marítimas, foram derrotados pelos egípcios sob o comando de Ramsés III. Por fim, foram obrigados a buscar terras mais a leste na região costeira onde era a Palestina para se fixarem. Lá, fundaram cinco cidades: Asdod, Ascalon, Ecrom, Gaza e, a maior delas, Gate.

Durante o período em que viveram nesta região, conhecida como a Pentápolis Filistina, quase sempre estiveram em guerra com seus inimigos hebreus; dos quais, aliás, são oriundas a maioria das informações sobre aquele povo.

Pesquisas atuais revelam o elevado grau de sofisticação na produção de artefatos de metal e de outros materiais deste povo. Graças a seu avançado estágio de trabalho em metalurgia, quase sempre quando os Filisteus iam a guerra contra os Hebreus, seus exércitos eram vitoriosos.

Esse povo sendo de origem indo-europeia, possuía uma cultura e costumes bem diversos dos demais povos da região. Os hebreus, em particular, os achavam "bárbaros incivilizados". O costume filisteu de comer porcos e de não realizar a circuncisão, por exemplo, em muito deve ter contribuído para as opiniões negativas. Ambos os povos foram eclipsados em período posterior pelo expansionismo guerreiro do Novo Império Babilônico.

Muito conhecida é a destruição de Jerusalém pelos exércitos do Rei Caldeu Nabucodonosor em 587 a.C. Menos conhecido, contudo, foi o destino compartilhado das cidades filistéias de Ashod, Askalon e Ekron (Gat já havia sido destruída 200 anos antes em guerras contra os Arameus). Elas foram arrasadas e queimadas pelas tropas deste mesmo rei em campanha anterior àquela que arrasou Jerusalém. Somente por meio de escavações recentes, a dramaticidade deste evento está sendo trazida à tona. Os sobreviventes de todas elas também foram levados para o cativeiro da Babilônia, a milhares de quilômetros de distância de suas cidades destruídas.

Ao contrário de seus inimigos hebreus, quando da queda do Império Babilônico pelos exércitos de Ciro, o grande da Pérsia, os filisteus não retornaram às suas cidades. Elas ficaram abandonadas por muitos anos até serem novamente ocupadas por outros povos sob domínio do Império Persa (sobretudo Fenícios). Os filisteus desapareceram da história. Um povo inteiro deixou de existir. Ainda se debate como e por que isto aconteceu. Alguns acreditam que eles foram culturalmente assimilados durante a sua estadia na Babilônia. Como isto pode ocorrer em tão pouco tempo levanta discussões interessantes entre historiadores e antropólogos.

Outros significados para 'filisteu'

A palavra filisteu, no sentido não histórico, refere-se à pessoa deficiente na cultura das Artes liberais, um oponente intolerante do boêmio, quem exibe um código moral restritivo, desapreciador das ideias artísticas.

A partir do século XIX, na Europa, a palavra "filisteu" passou a designar pessoas de comportamento acovardado, que têm ojeriza por questões políticas maiores, não valorizam a arte, a beleza ou o conteúdo intelectual e satisfazem-se com o cotidiano da vida privada pacata e confortável. O filisteu não seria adepto de ideais, mas apenas de propostas práticas passíveis de serem contabilizadas em melhorias para sua vida privada imediata. "Filisteu da cultura" é um conceito criado pela intelligentsia alemã do séc. XIX e recebeu análise filosófica de Nietzsche em Primeira Consideração Intempestiva.

H E B R E U S

Nota: Se procura pelo livro bíblico, veja Epístola aos Hebreus.

Os antigos hebreus (do hebraico עברים, transl. ʿIvrim, "descendentes do patriarca bíblico Éber") foram um povo semítico da região do antigo corredor sírio-palestino, em outros momentos conhecidos como judeus.Acredita-se que, originalmente, os hebreus chamavam a si mesmos de israelitas, embora esse termo tenha caído em desuso após a divisão de seu reino na segunda metade do século X a.C. Os hebreus falavam uma língua semítica da família Cananéia, à qual se referiam pelo nome de “língua de Canaã” (Isaías 19:18). Esse povo, apagado pela grandeza de estados muito maiores, tecnologicamente avançados e mais importantes politicamente, foi responsável, contudo, pela composição de alguns dos livros que compõem a Bíblia, livro considerado sagrado por grupos ocidentais.


Os antigos hebreus como objeto histórico e historiográfico

Os desafios referentes à escrita da história dos antigos hebreus são, em primeiro lugar, desafios historiográficos. Questões tais quais os tratamentos das fontes, a natureza das fontes, a maneira de interpretar os dados e as concepções inerentes ao processo de redação dessa história são as mais discutidas recentemente. As fontes para a história dos antigos hebreus, por exemplo, são as mais diversas possíveis: documentos escritos (a Bíblia sendo, de longe, a fonte mais rica de informações escritas, embora não a única), epigrafia, iconografia, arqueologia, línguas, etc. Tradicionalmente, a história dos hebreus antigos foi (e em alguns meios ainda é) recontada a partir de um viés unicamente bíblico, mais ou menos crítico, seguindo o modelo: patriarcas, escravidão no Egito, êxodo, conquista, Império, exílio. Essa prática está associada à determinada concepção de história, típica do princípio do século XIX, na qual o documento escrito teria maior destaque perante os outros, fazendo da cultura material apenas artigo de ilustração. Ademais, nessa época, as interpretações dos dados assumiam fortes conotações nacionais e políticas, uma vez que a institucionalização da História estava estreitamente vinculada ao processo de organização dos Estados nacionais. No entanto, diversas escolas historiográficas surgidas desde o fim do século XIX até o começo do século XXI (como os Annales) redefiniram essa prática, focando em fatores sociais, econômicos, demográficos, culturais, etc. e utilizando novos métodos e novos documentos.

A escrita da história dos antigos hebreus segue, portanto, uma série de métodos próprios do campo da História. Os primeiros autores a aplicar o método crítico à Bíblia hebraica, tratando-a como um documento histórico, foram W. de Wette [5] e Julius Wellhausen [6], ainda no século XIX. Wellhausen criou uma das teses mais utilizadas hoje pelos estudiosos da bíblia, conhecida como “Hipótese Documentária”, onde definia quatro grandes grupos que teriam sido responsáveis pela redação do Pentateuco, ligados cada um a uma fonte: a Javista (J), a Elohísta (E), a Deuteronomista (D) e a Sacerdotal (P). Essas diferenças foram encontradas pela análise das repetições, dos anacronismos, dos relatos duplicados, do estilo da escrita, entre outros aspectos.


Yahweh em grafite hebraico do século VIII a.C. com inscrição: “Eu te abençoou por Yahweh de Samaria e sua Asherah”Paralelamente ao desenvolvimento da crítica bíblica, os estudos arqueológicos jogaram nova luz sobre o contexto de composição da bíblia, isto é, o Oriente Próximo. Embora a princípio a assiriologia tenha nascido apenas como uma ciência auxiliar para o estudo do Antigo Testamento, a partir da decodificação das línguas orientais antigas se tornou muito mais difícil a manutenção dessa abordagem. De acordo com Trolle Larsen, “Inconsistências foram logo encontradas, onde as evidências estavam em desacordo com a Bíblia hebraica”, sendo estas problemas de cronologia e narrativa; contudo, “ as questões ficaram mais complicadas quando as composições textuais assírias e babilônicas pareceram mostrar próximas ligações com as histórias da Bíblia Hebraica”.Um dos principais debates da época girou em torno do tablete do dilúvio, parte do épico de Gilgamesh, que continha uma história extremamente semelhante ao dilúvio bíblico, só que muito mais antiga. O cientista Friedrich Delitzsch, tratando de questões como esta, foi o primeiro a acenar para o fato de que a Bíblia, afinal, tinha profundas raízes na tradição mesopotâmicas. Os estudos comparativos são, hoje, uma das formas mais comuns de abordagem crítica da Bíblia.

Essa mudança permitiu que os dados arqueológicos não fossem mais unicamente instrumentos de “comprovação” ou “negação” da Bíblia, mas documentos em si mesmos, passíveis de informar sobre temas diferentes daqueles abordados pelas escrituras hebraicas. Nos vinte últimos anos, muitos arqueólogos têm optado por escrever histórias dos hebreus completamente alheias ao texto bíblico, embora a maior parte tente fazer uso de todos os documentos possíveis, sem privilegiar um ou outro. Após a publicação de “Orientalism” por Edward Said – obra de grande impacto acadêmico que demonstra como a representação do Oriente na Europa foi responsável por caracterizar os asiáticos como “inferiores”, “sem história” e “amorais” num contexto de expansão imperial – alguns autores ressaltaram a existência de um tratamento enviesado da academia em relação aos estudos bíblicos nos termos do orientalismo. Entre estes autores está Whitelam, que considera o Israel antigo uma construção ideológica que transmite para a antiguidade a realidade dos Estados Nacionais, inexistente até os oitocentos. A importação do orientalismo para os estudos bíblicos (e arqueológicos) sobrevalorizou o período de ocupação hebraica da Palestina, ignorando os antigos habitantes cananeus/palestinos da região.Recentemente, os estudos acerca dos antigos hebreus têm se multiplicado e, junto deles, cada vez mais abordagens têm se popularizado. O uso da arqueologia forneceu importantes dados nos últimos anos, inclusive ajudando a contextualizar os documentos bíblicos. Thomas Thompson, por exemplo, percebeu em seus estudos que as narrativas dos patriarcas não correspondiam a realidades do segundo milênio antes de Cristo, como até então se pensava, mas que diziam respeito a uma realidade muito posterior. Autores como Philip Davies aprofundaram as análises de termos como “Israel”, demonstrando que seu uso na Bíblia possui sentidos que variam consideravelmente.Especialistas como Christa Schäfer-Lichtenberger, Niels Lemche e Israel Finkelstein acenderam um grande debate em torno da historicidade de um grande reino davídico-salomônico no século X a.C. Recentemente, William G. Dever afirmou que “Aparece com clareza suficiente que todas as histórias do Antigo Israel são agora obsoletas... No que me concerne, meu próximo livro será uma história do Israel Antigo escrita em grande parte sem recurso à Bíblia hebraica, fundamentada na maior parte do tempo sobre os ricos dados arqueológicos que possuímos hoje”.[16] A hipótese documentária não foi abandonada, mas tem sido reinterpretada à luz de novos dados apresentados por Van Seters e H. Schimid.[17] Diversas formulações teóricas foram levantadas nos últimos anos em relação ao tratamento das fontes na reconstrução da história dos hebreus. Algumas críticas por parte de autores como Hans Bastard, por exemplo, defendem uma postura menos positivista em relação à Bíblia, onde os textos não sejam encarados a partir de uma oposição “absoluta” entre mito e história, mas como narrativas literárias (onde esses elementos se misturam) – uma abordagem semelhante à de Navarrete Linares no caso das fontes mesoamericanas[18]. No que diz respeito à historicidade da Bíblia isoladamente, fala-se em escolas “maximalistas” e “minimalistas”, que conferem aos relatos diferentes níveis de fiabilidade histórica. No entanto, as divergências entre esses autores têm se reduzido imensamente nos últimos anos.

Os patriarcas

A primeira referência aos hebreus ocorre por volta de 1200 a.C., no reinado do faraó Merneptah.[22] Nessa época, algum povo conhecido como “israelitas” já habitava a região da palestina no Oriente Próximo. As tradições hebraicas mais antigas sobre suas origens, como o gênesis da Bíblia, falam de certos patriarcas (Abraão, Isaac, Jacó) que teriam iniciado a linhagem dos hebreus. As origens dos povos hebreus, de acordo com a história de gênesis, são situadas na mesopotâmia (a cidade de Ur). A figura de Abraão provavelmente indica a forma de organização sócio-econômica desses primeiros povos: pastores seminômades organizados em pequenos grupos. Abraão é também, de acordo com especialistas, um epônimo para uma tribo pastora atestada na Palestina central no século XIII. Segundo alguns especialistas, uma análise comparativa e o estudo dos anacronismo na narrativa de gênesis sugere que a história da migração de Abraão para Canaã é um mito que espelha um acontecimento tardio, isto é, o retorno dos judeus “exilados” na babilônia após a derrota para o Império Caldeu. Acompanhado de sua mulher Sarah e seu sobrinho Lot, Abraão é tido como responsável pela primeira ocupação hebraica de Canaã. Seus antepassados apenas abandonariam essa terra, seguindo para o Egito, após uma seca intensa. Essa história parece ter sido uma forma de sustentar uma anterioridade histórica para a ocupação hebraica do território no período do retorno. Os patriarcas hebreus são lembrados como responsáveis pelos primeiros pactos com Deus. Mesmo que as tradições hebraicas possam nos fornecer evidências gerais sobre formas de vida, é praticamente impossível provar a historicidade dos patriarcas. Alguns especialistas remarcaram que “os profetas (e os textos) pré-exílicos não conhecem Abraão e usam em geral o termo “pais” para se referir à geração do êxodo.” Por motivos como este, “a maioria dos estudiosos compreende-os como reflexos mais indiretos de eventos históricos, como representantes de tribos antes que de indivíduos”.Não obstante, muitos arqueólogos e historiadores concordam que o gênesis é um relato em larga medida mítico e, sobretudo, marcado pela época de sua composição.

Problemas de datação do Gênesis

O conteúdo do livro que trata dos patriarcas, o Gênesis, é de difícil datação. A questão de sua autoria já havia sido colocada por Wellhausen no século XIX, que dividiu a composição do livro entre diferentes grupos e épocas. Os especialistas acreditam que o relato foi escrito tardiamente, no período da monarquia ou mais tarde [30]. O anacronismo mais conhecido no livro de Gênesis é a referência aos filisteus (gênesis 21:34).[31]. Essa referência ajuda a datar o relato bíblico, já que os filisteus apenas chegaram à região a partir de 1200 a.C.[32] Além disso, a cidade de Gerar, citada como capital dos filisteus era um agrupamento minúsculo no período dos patriarcas, que só se torna uma vila forte por volta do ano 700 a.C. Para mais, a bíblia se refere aos líderes filisteus como “reis”, embora apenas num estágio tardio os filisteus tenham estabelecido esse título. Outros anacronismos incluem a menção aos arameus (que só chegaram à região no final do século X a.C.), à cidade de Dan (gênesis 14:14) e à Ur dos caldeus (gênesis 11:28), todos inexistentes no panorama da época. Não existe, por exemplo, evidência para a ocupação de Edom antes do século 8 a.C. As referências à Lídia, a Kittim e a Nínive também são vistas como altamente anacrônicas. Portanto, o relato dos patriarcas das fontes (J) e (D) no Gênesis foi desenvolvido por volta de 700 a.C.[38]

Êxodo

O episódio do Êxodo se refere a um episódio Bíblico de acordo com o qual os judeus, escravizados no Egito, teriam conseguido fugir da terra estrangeira, retornando à sua terra de origem, Canaã, sob a liderança de Moisés. Os relatos bíblicos falam que a família de Jacó, um dos patriarcas, teria partido da terra colonizada por Abraão até o Egito devido a uma seca. Lá, encontrando-se com seu familiar José, que teria ascendido a uma posição de importância dentro do governo do faraó, teriam se instalado por alguns anos.[39]. Não existe, contudo, nenhuma evidência extra-bíblica para este episódio.[40] Para harmonizar as fontes arqueológicas com as fontes escritas, alguns historiadores sustentam que “apenas alguns do povo de Israel estavam no Egito e o grupo vindo do Egito então teria se juntado a outros grupos para formar o que foi conhecido como Israel”. No entanto, os egiptólogos estão de acordo de que a imagem dum Egito escravista não é coerente com o Egito da época, onde não havia escravidão Para Donald B. Redford, os números de judeus envolvidos no êxodo são por demais extravagantes. As escavações intensivas realizadas nas regiões pelas quais os hebreus teriam passado em seu trajeto de migração não fornecem nenhum dado arqueológico de assentamento humano na época do êxodo, e o relato bíblico cita cidades que só existiram muito tempo mais tarde. O êxodo era considerado um evento central na história hebraica, regularmente comemorado pelos hebreus.

Moisés

David Roberts representa os hebreus deixando o EgitoDe acordo com as fontes bíblicas, Moisés era um hebreu que tinha sido criado na corte egípcia, após ser resgatado de uma cesta à deriva no Nilo. Moisés é, com efeito, um nome de origem egípcia. Após guiar seu povo por cerca de três meses, Moisés teria acampado nas proximidades do Monte Sinai, onde se reestabeleceu um pacto entre Yahweh, o Deus nacional, e os hebreus, sob a mediação de Moisés. Evidências externas à Bíblia apontam para uma ocupação hebraica contínua da Cananeia, de forma que Moisés pode não ter existido.[45] Não existe evidência arqueológica para corroborar a existência de Moisés.[46][47] Nenhuma fonte egípcia ou assíria antiga que faça referencia às figuras bíblicas antes de 850 a.C. foram encontradas.[48] Muitos acadêmicos, contudo, preferem não descartar a possibilidade da existência de figuras bíblicas, embora reforcem que todas elas são construções literárias.

A religião hebraica

De acordo com os relatos bíblicos, o pacto realizado entre hebreus e seu Deus no Sinai impôs alguns deveres aos homens, ligados ao culto de sua deidade. Assim como muitos povos no Oriente Próximo, os hebreus acreditavam que os nomes revelassem a natureza intrínseca de indivíduos e deuses. Essa concepção de mundo explica a proibição da vocalização do nome de seu Deus em alguns livros de leis. Por intermédio de Moisés, os hebreus renovaram um pacto com Deus iniciado no período dos patriarcas, e prometeram cumprir suas leis em troca de proteção. Os historiadores apontam para esse pacto como uma representação dos acordos políticos de vassalagem no Oriente Próximo Antigo.[50]. As ordens de yahweh são formuladas na forma de dez mandamentos. A Bíblia Hebraica traz duas versões dessas ordens, em Êxodo (Êxodo 20:1-17) e em Deuteronômio (Deut. 5:6-21). Um dos exemplos da transformação dessas leis ao longo do tempo é a obrigação do Sabbah, associado ao descanso divino no sétimo dia em Exôdo 20:8-11[51], enquanto em Deuteronômio 5:12-15[52] o mandamento é vinculado ao episódio da fuga do Egito.

Origens da Religião de Israel

Punhal de Gebel el Arak.Os estudiosos perceberam um vínculo estreito existente entre a religião dos primeiros hebreus e seus antepassados imediatos, os cananeus. Após a descoberta de documentos escritos em Ugarit, uma civilização antiga anterior a Israel, os estudiosos têm compreendido cada vez mais os documentos hebraicos. Os hebreus “emprestaram” o nome de sua deidade nacional, El, dos antigos habitantes de Canaã. Mesmo alguns salmos e outros temas da literatura hebraica parecem ter sido assimilados pelos hebreus a partir da cultura Cananéia, uma vez que os atributos do El hebraico são exatamente os mesmos que o do Deus de Ugarit.[53][54] A literatura bíblia associa com freqüência Yahweh a El (Gen. 14:18-20, 33:20, Exod. 6:3, etc.). Deuses como Baal e Asherah, de origem Cananéia, eram louvados pelos hebreus antigos e, ao que tudo indica, esse culto era visto como igualmente legítimo. Estudiosos que têm demonstrado maior interesse pela religião popular de Israel apontam para a existência do culto a Asherah, entre outras questões.

A Conquista de Canaã

Sítio arqueológico de Jericó. Ao contrário do que diz o relato bíblico, a cidade não tinha muralhasA conquista de Canaã é de vital importância para a história judaica. É com essa conquista que os hebreus deixaram de ser um povo nômade, para se tornar um povo com uma terra. Essa região se tornaria, na tradição posterior, o elemento de união deste povo, já que teria sido dada pelo próprio Deus. No entanto, além da teoria religiosa da ocupação (conforme vista no Livro de Josué), de acordo com a qual os hebreus teriam invadido a região de forma belicosa, há diversas outras teorias históricas para explicar como os hebreus conquistaram Canaã e como deixaram seu estado tribal para assumir uma identidade nacional. O desenvolvimento dessas teorias está vinculado, sobretudo, à ausência de evidência arqueológica para a tese da invasão militar[57] , além dos anacronismos e das incoerências internos ao texto bíblico [58]. Um dos problemas, como afirma o arqueologo Pierre de Miroschedji, é a menção, no relato da conquista, de cidades que não existiam por volta de 1250 a.C. As cidades da região também não apresentam registros de destruição.

Teoria da ocupação pacífica de Canaã - Essa teoria, defendida por Albrecht Alt, Martin Noth, Manfred Weippert, Siegfried Hermann, Yohanan Aharoni e outros , sustenta que a conquista de Canaã processou-se através de diversas correntes de imigração de grupos (que depois seriam unidos na época da monarquia israelita), das regiões inabitadas entre as cidades-estados cananéias. As batalhas eram travadas apenas quando havia confrontos entre esses grupos e as cidades cananéias.

Teoria da revolta – Essa teoria, defendida por George Mendenhall e Norman K. Gottwald, sustenta que o termo hebreu não se refere à um conjunto étnico , mas a uma situação de separação entre grupos de pessoas e a sociedade cananita. Mendenhal diz que camponeses revoltados contra a sociedade cananita, unidos através de um movimento religioso baseado na fé javista , transcenderam as religiões tribais e, com isso, puderam realizar entre si uma aliança de solidariedade entre iguais.

Teoria da evolução pacífica e gradual - Essa teoria, desenvolvida a partir da teoria da revolta, concentra-se no problema de se estabelecer uma distinção clara entre os cananitas e os israelitas, já que seus padrões étnicos e culturais eram semelhantes, e apenas mais tarde, depois de muitos anos, se diferenciaram.

[editar] Os Juízes
Segundo a tradição bíblica, o período posterior à ocupação de Canaã foi dominado pelo governo de indivíduos conhecidos como Juízes. A principal fonte histórica para esse período é o livro bíblico de juízes, onde se conhece a história de certos líderes militares (Débora, Gedeão, Otoniel, Sansão, etc.) cujos atos são relembrados de forma heróica pelos hebreus. O livro também apresenta uma versão destoante da conquista de Canaã, de perspectiva judaíta. É difícil, contudo, escrever uma história contínua desse período, uma vez que ele apresenta diversos problemas cronológicos, muitas vezes atribuídos a sua edição deuteronomista.Sobre a historicidade do período, enquanto alguns autores falam em “procurar a verdade por trás dos textos” [61] , levando em consideração sua orientação teológica, outros listam anomalias e anacronismos buscando refutar sua validez

Filisteus e a Monarquia Única: Saul e Ishbaal (1026-1000 a.C.)

A ocupação hebraica do território é gravemente abalada com as invasões dos povos filisteus por volta de 1180 a.C., que se insere no contexto da invasão dos povos do mar no Oriente Próximo. Os filisteus não só teriam desafiado os hebreus, como teriam mesmo conseguido capturar a Arca de Yahweh durante a batalha de Ebenezer se saindo ilesos, muito embora esse sacrilégio fosse punido com morte instantânea na ideologia hebraica (2 Samuel 6:6-7). Parece que, diante dos ataques dos Filisteus, os hebreus tiveram necessidade de se unir em torno de uma figura política mais forte. Samuel, um profeta célebre, teria consagrado rei um homem chamado Saul[63] , da tribo de Benjamim. O rei passou grande parte de seu governo perseguindo os filisteus. Também foi alvo de ataques por parte de Samuel e um jovem guerreiro chamado Davi, que posteriormente tomaria o trono. Saul se lançou sobre sua própria espada após uma campanha fracassada contra os Filisteus. Seu quarto filho, Ishbaal, assume o governo no lugar do pai por alguns anos, tendo que enfrentar as contestações de Davi. Por fim, é assassinado, abrindo lugar para a ascensão deste último.

Davi e Salomão, ou o Reino Unido (1000 – 924 a.C.)

Representação medieval de Bathsheba e SalomãoO momento da história hebraica particularmente louvado pelos livros sagrados é o período dos reinados de Davi e Salomão, tidos como reis exemplares. Davi escolheu Jerusalém como capital para seu reino, e organizou a cidade como um grande centro religioso. De acordo com as fontes bíblicas, Davi teria estendido seu domínio por sobre alguns reinos vizinhos, como Ammon, Moab e Edom. Quando Davi ficou velho, Bathsheba e outros tentaram convencê-lo a escolher como sucessor o filho Salomão.[64] Salomão governou, de acordo com a Bíblia hebraica, como um rei sábio. Teve 700 mulheres e 300 concubinas. Ele também iniciou o processo de construção de um vasto templo de inspiração fenícia.

Historicidade de Davi e Salomão

A despeito do relato bíblico, os estudiosos não acreditam que tenha havido um grande reino hebreu no período dos reinados de Saul, Davi e Salomão, mas que esses líderes foram engrandecidos devido a uma projeção de período posterior.Exageros já haviam sido notados, por exemplo, nos números de 2Samuel 24:9, que fariam do exército de Davi numericamente próximo da população da capital austríaca (1.300.000 homens).

Como afirma Joseph Blenkinsopp, “o registro bíblico fala em termos brilhantes das conquistas de Davi e Salomão, mas a realidade foi provavelmente mais modesta; e é necessário ter em mente que nenhuma fonte daquele tempo se refere, mesmo de passagem, a qualquer um dos dois reis ou ao Grande Israel que eles haviam criado”. De acordo com historiadores como Thomas Thompson, “não há evidência de uma monarquia unida, não há evidência de uma capital em Jerusalém ou de qualquer força política coerente e unificada que tenha dominado a Palestina ocidental (...). Portanto, acredita-se que o engrandecimento da Monarquia Unida é um anacronismo. No que diz respeito às figuras de Davi e Salomão, muitos autores publicaram livros comparando sua descrição literária às fontes extra-bíblicas. Davi é citado indiretamente numa estela de difícil datação chamada de Tel Dan ("casa de Davi", ou seja, dinastia de Davi). Já no que diz respeito a Salomão, os arqueólogos jamais encontraram um documento que lhe fizesse referência. É notável que em nenhuma Estela, nem nos arquivos egípcios, nem nos arquivos de Biblos, nem nos arquivos da Assíria e nem em Aram-Damas haja qualquer menção ao nome de Salomão, muito embora a Bíblia o descreva como um grande rei. Não obstante, como afirma Hans M. Barstad, isso não significa que Davi e Salomão não tenha existido, mas apenas que o relato "misturou" ficção e realidade. O relato bíblico exagerou, contudo, a grandeza do reino de Israel no período de Davi e Salomão. De acordo com o arqueólogo Amihai Mazar, “nós podemos descrever a Monarquia Unificada como um Estado num primeiro estágio de desenvolvimento, longe de ser um Estado rico e em larga extensão como retrata o relato bíblico”. Para Hans M. Bastard, a ideia de uma Era Dourada, representada pelo Império Davídico, é um padrão próprio a um gênero literário chamado de "Histórias Nacionais", comum às sagas escandinavas e gaélicas. A ideia da criação dum Império Davídico-Salomônico é explorada detalhadamente por Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. No século X e mesmo no século IX a.C., Jerusalém era uma cidade pobre com pouco espaço para zona residencial e poucas fortificações.Como demonstram numerosos estudos, as evidências para um incipiente Estado centralizado só surgirão dois séculos mais tarde.De acordo com Mario Liverani, Jerusalém era "Minúscula" e Judá "pouco povoada" no século X a.C.. Mesmo durante os séculos IX e VIII a.C., o desenvolvimento foi modesto. A população inteira da região foi estimada pelo autor em 110 000 habitantes, William Dever faz uma estimativa semelhante.Outros trabalhos sobre a inexistência dum estado centralizado israelense na época de Davi e Salomão foram realizados por Jessica N. Whisenant[79], David Ussishkin[80], Nadav Na’aman, Margreet Steiner, Whitelam e Franken, Killebrew , entre outros.

Templo de Jerusalém

O relato bíblico fala que Salomão teria construído um templo no século X a.C. que teria sido destruído por Nabucodonossor em 587 a.C. Nã obstante, nós não temos nenhuma evidência arqueológica acerca do templo de Salomão. A primeira evidência que demonstra a existência de um templo de jerusalém é indireta - centralização do culto com a desacralização de lugares ativos antes -, e ocorre somente por volta do ano 700 a.C., muito depois da data colocada pelo relato bíblico.

A Monarquia Dividida: O reino do Norte, Israel

Devido à arrogância de Rehoboão, filho de Salomão, as dez tribos hebraicas do norte se rebelaram e fundaram um reino sob a autoridade de Jeroboão I (924-904 a.C.). Jeroboão reativou antigos templos em Dan e Bethel, garantindo independência em relação ao templo de Jerusalém. O filho de Jeroboão é assassinado após conflitos palacianos, e Omri finalmente ascende ao poder, fundando a dinastia Omrida, fortemente reconhecida pelos documentos arqueológicos como uma dinastia poderosa. Omri estabeleceu como capital Samaria e fez alianças com o rei de Tiro, casando com sua filha Jezebel.Pintando como um monarca cruel pelos autores bíblicos, Ahab, filho de Omri, foi no entanto um dos maiores reis hebreus. Isso se deve a sua política de sancionar tanto o culto de Javé quanto o culto de Baal. De acordo com Finkelstein, Omri e sua dinastia foram esquecidos, enquanto o período de Salomão foi sobre glorificado pela literatura bíblica.Na verdade, a maior parte das grandes evidências arqueológicas da história de Israel estão associadas a esse rei e seus sucessores, e não a Salomão. Ahab teve um poderoso exército sob seu domínio. A dinastia de Jehu (843-816 a.C.) assume após o assassinato do filho de Ahab, Jehorão. Durante esse período, o reino de Israel estava em decadência, e sob controle do reino aramaico de Damasco. A arqueologia demonstra que a religião popular em Judá e Israel nessa época era politeísta e sincretista.[88][89] As origens do monoteísmo bíblico são, por esse motivo, atribuídas ao período posterior do rei Josias em Judá

A Monarquia Dividida: O reino do Sul, Judá

Rehoboão teve que enfrentar diversos ataques a sua soberania durante seu reinado. O reino de Judá também teve de enfrentar os saques efetuados por Israel no período do reinado de Ahaziah. Mais tarde, o rei Ezequias (727-698 a.C.) formou uma coalizão anti-assíria, o que lhe rendeu sucessivas derrotas para o rei Senaqueribe, fazendo com que os reis de Judá se submetessem a ele como fieis vassalos. Em suma, o reino de Judá foi inteiramente coberto pela supremacia política de reinos vizinhos mais poderosos e em franca expansão.

Conquista pelos Estrangeiros

Em 721 a.C., o reino de Israel foi conquistado pelos assírios e aproximadamente duzentos anos depois o reino de Judá foi conquistado pelos babilônios, com isso oshebreus viraram escravos – período que ficou conhecido como Cativeiro da Babilônia.

Diáspora

O Cativeiro da Babilônia acabou em 539 a.C., quando Ciro, imperador persa conquistou a Babilônia libertou os judeus, que retornaram a Palestina e reconstruíram o templo de Jerusalém, que havia sido destruído por Nabucodonosor. Em 332 a.C. os persas foram derrotados por Alexandre, o Grande, e os macedônios e gregos passaram a dominar a Palestina, seguido pelo domínio romano, a partir de 63 a.C.. Após a contenção da revolta judaica iniciada em meados da década de 60 d.C., e a destruição de Jerusalém em 70 d.C., os judeus se dispersaram pelo mundo - foi o início da Diáspora Judaica.

Retorno

No século XIX, o movimento sionista, organizado por Theodor Herzl, passou a ocupar terras na Palestina e, com o apoio da Inglaterra, interessada em pender o equilíbrio político e econômico para seus interesses. Dessa forma, a presença judaica passou, aos poucos, a superar a de palestinos, descendentes dos antigos filisteus. Em 1948, a Assembléia Geral da ONU, sob impacto do Holocausto,criou o Estado de Israel, juntamente com a criação de um estado palestino, que consistiria dos territórios da Cisjordânia e Transjordânia. Assim, o povo hebreu, agora conhecido como judeu, voltou à sua Terra Prometida. Enquanto isso, grupos palestinos lutam pela criação de um estado palestino que inclua Jerusalém Oriental, se utilizando inúmeras vezes de atentados terroristas contra Israel (estado que não é reconhecido por eles).